Documentos
O documento é o elemento central do E-Docs. O sistema nasceu como uma ferramenta de gestão arquivística, por isso há grande rigor com a preservação digital e com as garantias de autoria, integridade e validade legal e jurídica dos documentos armazenados.
Esta página apresenta uma visão geral dos documentos no E-Docs: as fases pelas quais passam até se tornarem válidos, suas características, valor (ORIGINAL ou CÓPIA) e formas de uso depois de capturados.
Fases de um Documento
Na prática, a criação de um documento pode passar por três fases: elaboração, assinatura e captura.
Fase de Elaboração
A elaboração é a fase em que o documento é efetivamente produzido. Essa produção pode ocorrer de várias formas:
- Em editores de texto externos, como Microsoft Word ou Google Docs.
- Em sistemas que geram arquivos PDF (por exemplo, sistemas que emitem nota fiscal ou relatórios).
- No próprio E-Docs, por meio de seu módulo interno de elaboração.
O módulo interno de elaboração oferece um editor de texto mais simples, com funcionalidades básicas como negrito, itálico e tabelas. Não tem o poder de um editor completo, mas é suficiente para a confecção de documentos do dia a dia em formato oficial. Há também modelos de documento prontos, contendo elementos como cabeçalho e logotipo do patriarca, e cada órgão pode criar modelos adicionais conforme sua necessidade.
Fase de Assinatura
A fase de assinatura ocorre quando se quer garantir a autoria de um documento, por uma ou várias pessoas, em meio eletrônico. Existem duas formas principais de assinatura:
- Assinatura eletrônica E-Docs: realizada dentro da própria ferramenta, utilizando o login e senha do usuário. Qualquer pessoa cadastrada (servidor ou cidadão) pode assinar, e não há limite de assinantes por documento.
- ICP-Brasil: o documento é assinado externamente, com certificado digital adquirido junto a empresas especializadas (geralmente em token ou cartão), e a assinatura é aplicada diretamente no arquivo PDF antes do envio ao E-Docs.
Enquanto está em fluxo dentro do E-Docs, seja em elaboração no módulo interno, seja em coleta de assinaturas, o documento ainda não é considerado válido. Nessa condição, ele não pode ser usado em encaminhamentos ou processos, e só é visível para quem o está elaborando e para os assinantes indicados.
Fase de Captura
A captura é a fase final, e a mais importante do ponto de vista arquivístico. É o momento em que o documento passa a ter validade legal e jurídica dentro do E-Docs, e as assinaturas eletrônicas passam a valer. O documento é então considerado institucionalizado.
A seção Documentos Capturados abaixo detalha as características e funcionalidades disponíveis a partir desse ponto.
Elaboração, assinatura e captura descrevem o caminho prático de criação de um documento no E-Docs. Não se confundem com as fases do ciclo de vida documental da Arquivologia, que são corrente, intermediária e permanente. Os dois modelos se encontram na captura: ao ser capturado, o documento passa a ser válido e entra na fase corrente do seu ciclo de vida. Veja Arquivologia e Gestão Documental.
Documentos Capturados
Documentos capturados são a forma final e válida de um documento no E-Docs. A partir desse ponto, podem ser usados em encaminhamentos, processos e demais funcionalidades do sistema.
Características de um Documento Capturado
Ao ser capturado, o documento adquire marcas e tratamentos que o caracterizam como institucional. Em concreto, ele:
- Recebe um registro de documento (código de protocolo único).
- Recebe um carimbo azul em cada página.
- Ganha uma folha extra com metadados, contendo informações sobre quem fez a captura, quem produziu o documento e quem foram os assinantes.
- Passa pelo tratamento do E-Docs Chain, a tecnologia exclusiva do E-Docs que garante autoria e integridade do documento do ponto de vista legal e jurídico.
Após a captura, o documento se torna imutável: o arquivo e seus metadados essenciais não podem mais ser alterados.
Formatos Suportados
O E-Docs suporta uma lista restrita de formatos de arquivo, escolhida com foco em preservação digital. A premissa é garantir que o documento continue legível por décadas, sem depender de softwares de terceiros que podem se tornar obsoletos.
- Documentos textuais: somente PDF. É um formato consolidado, aceito em todo o mundo, próprio para guarda de longo prazo e com suporte nativo a assinaturas embutidas, inclusive ICP-Brasil. Hoje, abrir um PDF é trivial: praticamente qualquer computador, celular ou navegador faz isso sem necessidade de software adicional.
- Áudio e vídeo: arquivos em diversas extensões são aceitos no upload, mas o E-Docs realiza a conversão para formatos padronizados que garantem a execução futura desses conteúdos.
Um arquivo .doc do Word 98 ilustra o problema da obsolescência: o formato caiu em desuso, e mesmo as versões atuais do Word podem ter dificuldade para abri-lo corretamente. Já um arquivo em formato CAD (usado em projetos de engenharia e arquitetura) ilustra outro problema, o da disponibilidade: depende de software proprietário, em geral pago e de nicho profissional específico, o que restringe quem consegue de fato acessar seu conteúdo.
A adoção do PDF e a conversão de áudio e vídeo para formatos padronizados neutralizam os dois riscos: são arquivos lidos por ferramentas comuns, gratuitas e disponíveis em praticamente qualquer ambiente, tanto hoje quanto daqui a décadas.
Modos de Captura
O E-Docs oferece diferentes funcionalidades para a captura de documentos, todas seguindo os preceitos do Decreto nº 4410-R, que estabelece o uso do meio eletrônico para a interação cidadão-Estado e para a realização do processo administrativo.
As principais formas de captura disponíveis são:
- Captura passo a passo: conduz o usuário pelas decisões necessárias (tipo de documento, valor, assinaturas, classe, nível de acesso).
- Captura em lote: permite capturar vários documentos de uma só vez, agilizando o trabalho quando há grande volume.
- Captura de áudio e vídeo: oferece opções específicas para esses formatos, contemplando a conversão para os padrões aceitos pelo sistema.
- Captura de Digitalizado com Valor de Original: modo especial e restrito, detalhado na subseção Documentos Digitalizados.
- Atalhos de captura: disponíveis durante a criação de encaminhamentos e em certos atos processuais, permitindo capturar um documento dentro do próprio fluxo da operação que se está executando.
Para detalhes sobre cada modo de captura, consulte a seção Captura.
Valor do Documento: Original ou Cópia
Todo documento capturado no E-Docs recebe um valor, que pode ser ORIGINAL ou CÓPIA. Esse valor depende da origem do arquivo (nato-digital ou digitalizado a partir de papel) e de como ele é capturado.
Alguns documentos também recebem uma classe documental no momento da captura. As condições em que a classificação é exigida estão na seção Quando a classificação é exigida no E-Docs.
Documentos Nato-Digitais
Documentos nato-digitais são aqueles criados originariamente em meio eletrônico, sem versão prévia em papel. São arquivos PDF gerados em editores de texto, sistemas, formulários eletrônicos e similares. Por terem nascido em formato digital, não precisam de uma versão impressa para ter valor.
Aqui, o valor depende de quem criou o documento:
- Criado pelo próprio usuário: um cidadão elaborando um documento de sua autoria, ou um servidor produzindo um documento no exercício do cargo (como atas, ofícios, decretos, decisões, relatórios e planos de trabalho). Nesse caso, o documento deve ser assinado eletronicamente pelo autor ou autores para garantir a autoria. Uma vez assinado na forma da legislação, é considerado ORIGINAL já em formato PDF, sem necessidade de impressão e assinatura à caneta. O E-Docs garante tecnicamente a autoria e a integridade do arquivo, e cabe a quem assinou responder pelo seu valor, caso seja requisitado. Regra prevista no art. 10 do Decreto nº 4410-R.
- Criado por terceiros: uma nota fiscal recebida por e-mail, um atestado médico emitido por outro profissional, ou similar. Quem captura não pode assinar pelo autor do documento, e o arquivo é capturado com valor de CÓPIA. Cabe a quem gerou o documento responder por seu valor, caso seja requisitado.
Documentos Digitalizados
Quando o documento existe em papel e é digitalizado (escaneado) para gerar uma versão em PDF, o valor do arquivo no E-Docs depende do modo de captura usado:
- Digitalização comum: feita pelos modos comuns de captura (passo a passo ou em lote), bastando informar que o documento é escaneado. Resulta em um documento com valor de CÓPIA.
- Captura de Digitalizado com Valor de Original: funcionalidade especial e restrita, voltada justamente aos casos em que a cópia escaneada precisa ser equiparada ao original em papel. Seguindo a técnica e os requisitos exigidos pela legislação, o PDF resultante recebe o valor de ORIGINAL.
No âmbito do Governo do Estado do Espírito Santo, a Captura de Digitalizado com Valor de Original é restrita aos membros das CAD de cada órgão estadual, instituídas no âmbito do PROGED. A técnica e os requisitos estão regulamentados pelo Decreto nº 5491-R, alterado pelo Decreto nº 6024-R. Para facilitar a consulta, há também o texto compilado do Decreto nº 5491-R, que já incorpora todas as alterações.
No mundo do papel, o simples fato de o documento existir em papel já lhe confere um valor de original. Em muitos casos, a assinatura à caneta ou a autenticação em cartório acrescentam camadas adicionais de certeza, conforme a necessidade. E uma cópia costuma ser reconhecível à primeira vista, por ficar claro que o original passou por uma fotocopiadora.
No meio digital, nada disso se aplica diretamente. Um arquivo PDF, sozinho, não carrega evidência de ser original ou cópia. Por isso o E-Docs depende de marcas formais para distinguir uma coisa da outra:
- Para os nato-digitais: a assinatura eletrônica E-Docs (via login e senha) ou a assinatura digital ICP-Brasil marcam a originalidade.
- Para os digitalizados: a funcionalidade restrita de Captura de Digitalizado com Valor de Original marca a originalidade.
Sem essas marcas, o arquivo é tratado como cópia.
Após a Captura
Esta seção descreve o comportamento dos documentos depois de capturados: como circulam pelo sistema, como são acessados e como podem ser localizados.
Vida Própria dos Documentos
Uma característica importante, herdada da arquivologia, é que os documentos têm vida própria no E-Docs. Embora o sistema ofereça processos administrativos e outras formas de tramitação, o foco principal é o documento, e não o processo.
Na prática, isso significa que:
- Um documento não pertence a um processo. Ele existe de forma independente.
- O mesmo documento pode ser usado em vários lugares: um encaminhamento, um processo, outro processo de outro órgão, e assim por diante.
- O nível de acesso está vinculado ao documento, não ao processo. Independentemente de em quantos lugares ele esteja sendo usado, as regras de quem pode ler seu conteúdo são preservadas.
Quem quiser usar um documento como peça de um processo administrativo precisa, primeiro, capturar esse documento no E-Docs. Só então ele poderá ser entranhado no processo.
Acesso aos Documentos
O acesso a um documento capturado se divide em duas dimensões:
- Metadados: são sempre públicos. Qualquer pessoa pode consultar informações como o nome do documento, o registro (protocolo), quem capturou, quem assinou, o tamanho do arquivo, a duração (no caso de áudio e vídeo), se o documento é original ou cópia, entre outras informações.
- Conteúdo: é o que está dentro do PDF, áudio ou vídeo em si. Seu acesso é regido pelas regras de nível de acesso (Público, Organizacional, Sigiloso, Classificado), definidas conforme a Lei de Acesso à Informação. No âmbito estadual, aplica-se a Lei Capixaba de Acesso à Informação (Lei nº 9.871/2012), regulamentada pelo Decreto nº 3152-R.
A filosofia é prezar pela transparência: mostra-se tudo o que pode ser mostrado nos metadados, ao mesmo tempo em que o conteúdo é protegido conforme a legislação vigente.
Para mais detalhes sobre níveis e restrições de acesso, consulte a seção Restrição de Acesso.
Credenciamento
Quando um usuário precisa ler o conteúdo de um documento ao qual não tem acesso, ele pode solicitar credenciamento sobre o próprio documento ou sobre o processo onde ele está sendo usado, abrindo um fluxo formal de solicitação e aprovação dirigido a quem já tem acesso (o credenciador), que pode aprovar ou reprovar o pedido, sempre com justificativa.
Para mais detalhes, consulte a seção Credenciamento.
Buscas e Consultas
O E-Docs oferece diversos recursos para localizar documentos:
- Busca avançada, com filtros por protocolo, assunto, período, classe documental, sinalizações e agentes envolvidos.
- Barra de busca rápida, disponível a qualquer momento, que pesquisa por palavras tanto nos metadados quanto no conteúdo dos documentos a que o usuário tem acesso.
- Dashboards de captura, que oferecem uma visão consolidada de quantos documentos foram capturados por setor, órgão ou patriarca.
A busca é abrangente o suficiente para localizar documentos por trechos do conteúdo, mesmo quando o usuário não conhece o registro.